Domingo comecei a ler um livro novo Essencialismo, de Greg McKeown. Confesso que li 50 páginas até agora, mas foram 50 páginas que me fizeram refletir bastante sobre os “sins” e “nãos” que eu falo diariamente. No livro, ele fala sobre como temos a tendência de aceitar todas as demandas que aparecem, absorver cada vez mais tarefas e, no fim, ficar tão ocupados executando que não sobra tempo para pensar com intenção no que realmente é importante.
E acho que isso acontece muito quando começamos a empreender. No início, é normal assumir praticamente todos os braços do negócio: vender, atender, cobrar, organizar, divulgar, resolver problemas e ainda entregar o serviço. Até porque, muitas vezes, não existe estrutura ou dinheiro para delegar. O problema é quando a empresa cresce, mas continuamos trabalhando exatamente da mesma forma que trabalhávamos quando começamos. O negócio evolui, as demandas aumentam, mas seguimos tentando dar conta de tudo.
Talvez uma das partes mais difíceis de crescer seja justamente entender o que ainda precisa passar por nós e o que já pode ser delegado. E delegar não significa simplesmente tirar tarefas da nossa frente. Significa escolher onde a nossa presença realmente faz diferença. Quando começamos a dizer “não” para algumas demandas operacionais, conseguimos dizer “sim” para aquilo que realmente precisa da nossa atenção: estratégia, decisões, relacionamento com clientes e crescimento da empresa.
E é aqui que eu vejo uma relação muito grande com a contabilidade. Conforme a empresa cresce, as decisões tributárias também começam a exigir mais atenção. Será que o regime tributário atual ainda é o mais adequado? Existe alguma possibilidade de planejamento para os próximos meses? Os impostos estão sendo calculados da forma correta? Existe alguma mudança que pode impactar a empresa? Ter essas informações organizadas permite que o empresário não precise entender ou acompanhar sozinho cada detalhe da parte contábil e tributária, mas tenha clareza suficiente para tomar as decisões que realmente dependem dele.
Ainda estou no início do livro, então provavelmente vou tirar muitas outras reflexões dele. Mas essas primeiras páginas já me deixaram pensando que crescer não é necessariamente conseguir fazer cada vez mais coisas. Talvez crescer também seja aprender a escolher melhor o que merece o nosso “sim”, entender o que já pode deixar de depender de nós e usar as informações que temos para tomar essas decisões com mais intenção. No final, não é sobre fazer tudo. É sobre saber o que realmente importa.



